sexta-feira, 27 de março de 2026

// Viciada em criar e não colocar no mundo | boletim #1

pinterest.

Eu tenho 32 posts em rascunho. Trinta e dois. De indicações, felicidades e coisas bem baixo astral até crítica social foda. Mas nenhum publicado. Nenhum publicado por achar que faltava algo mágico. Algo para alguém ler e gostar deles. Gostar deles, esse é o ponto.

Começo a escrita e tudo vai fluindo até o momento que eu começo a raciocinar sobre o que está saindo da minha cabeça. É quando eu travo e começo a reler pra ajustar milimetricamente o mísero post de um blog com 40 (uau) seguidores. Por favor, né. Sempre bom reconhecer minha insignificância perante à existência humana. Isso é assunto para outro boletim.

Perdoem-me pesar o clima, é que tenho lido bastante sobre criatividade, arte e como o medo de julgamento vai nos engolindo conforme ficamos adultos. O potencial criativo do ser humano vai de 98%, quando criança, para 2% , quando adulto. São tantas demandas, que chega a parecer fútil querer ter um escape criativo no capitalismo tardio. Comportamento não criativo é aprendido. Poucas das crianças que cresceram desenhando continuam depois de chegar na fase adulta.

Porque nunca é sobre os outros, e sim sobre a gente.

Analisando com os olhos e o coração mais abertos, fica mais fácil perceber que o que chamo de "ajustar milimetricamente" é, na verdade, o julgamento da ideia antes mesmo dela existir. Porque se a escrita ainda está em andamento, ela ainda está em criação, ora.

Todos podemos criar, mas colocar no mundo dá aquele frio na barriga que pode ser até paralisante, que é o meu caso atual. Um dia existiu uma versão de mim que criava e colocava no mundo sem pensar e analisar muito, mas hoje em dia outra Camila tomou conta de tudo e tá difícil me livrar dessa versão. Os pensamentos intrusivos perante o julgamento alheio sobre a minha pessoa tomam conta da minha mente enfraquecida, mas como diz minha psicóloga:

Um pensamento é só um pensamento.


pinterest.

O medo do julgamento está intrinsecamente ligado a vulnerabilidade, ora, coisas que colocamos no mundo costumam levar um pedaço de nós. Então as coisas deixam de ser simplesmente um texto, um post no blog, um bordado, uma cerâmica, um desenho com giz pastel oleoso ou qualquer coisa que vai ficar escondida  nas páginas do seu caderno. Nem todos estão preparados para expor um pedaço de si dessa forma, mesmo sem exposição massiva, como acontece com pessoas mega famosos.

Agora a questão é o que vou fazer com essas postagens. Pensando pela quantidade, daria pra fazer um BEDA, porém, nem todo post foi finalizado, e devido ao tempo da maioria deles, eu já nem sei sobre o quê era exatamente cada post kkkkk. A melhor coisa vai ser limpar e ver o que ainda é aproveitável, porque provavelmente muitos serão descartados, já que são postagens de 2023 a 2025. Não prometo um BEDA, mas prometo postagens bem malucas, com pouco sentido para a maioria e muita vulnerabilidade exposta. Quem quiser acompanhar, é só aparecer por aqui todos os dias de abril.



Músicas que o aleatório do spotify escolheu pra eu ouvir enquanto escrevia esse post:




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe um comentário legal :) e não esqueça de deixar o link do seu blog pra que eu possa te visitar depois