![]() |
| pinterest. |
Eu tenho 32 posts em rascunho. Trinta e dois. De indicações, felicidades e coisas bem baixo astral até crítica social foda. Mas nenhum publicado. Nenhum publicado por achar que faltava algo mágico. Algo para alguém ler e gostar deles. Gostar deles, esse é o ponto.
Começo a escrita e tudo vai fluindo até o momento que eu começo a raciocinar sobre o que está saindo da minha cabeça. É quando eu travo e começo a reler pra ajustar milimetricamente o mísero post de um blog com 40 (uau) seguidores. Por favor, né. Sempre bom reconhecer minha insignificância perante à existência humana. Isso é assunto para outro boletim.
Perdoem-me pesar o clima, é que tenho lido bastante sobre criatividade, arte e como o medo de julgamento vai nos engolindo conforme ficamos adultos. O potencial criativo do ser humano vai de 98%, quando criança, para 2% , quando adulto. São tantas demandas, que chega a parecer fútil querer ter um escape criativo no capitalismo tardio. Comportamento não criativo é aprendido. Poucas das crianças que cresceram desenhando continuam depois de chegar na fase adulta.
Porque nunca é sobre os outros, e sim sobre a gente.
Analisando com os olhos e o coração mais abertos, fica mais fácil perceber que o que chamo de "ajustar milimetricamente" é, na verdade, o julgamento da ideia antes mesmo dela existir. Porque se a escrita ainda está em andamento, ela ainda está em criação, ora.
Todos podemos criar, mas colocar no mundo dá aquele frio na barriga que pode ser até paralisante, que é o meu caso atual. Um dia existiu uma versão de mim que criava e colocava no mundo sem pensar e analisar muito, mas hoje em dia outra Camila tomou conta de tudo e tá difícil me livrar dessa versão. Os pensamentos intrusivos perante o julgamento alheio sobre a minha pessoa tomam conta da minha mente enfraquecida, mas como diz minha psicóloga:
Um pensamento é só um pensamento.
